Vozes para Calar!

calando as vozes

Compreendendo o Chamado que Silencia a Oposição

Depois Amazias disse a Amós: “Vá embora, vidente! Vá profetizar em Judá; vá ganhar lá o seu pão… Amós respondeu: “…apenas cuido do gado e faço a colheita de figos silvestres. Mas o Senhor me tirou do serviço junto ao rebanho e me disse: ‘Vá, profetize a Israel, o meu povo’.” Amos 7:12-15

Durante o tempo de serviço transcultural, voltei à minha pátria algumas vezes. E, a cada volta, algo novo havia acontecido entre os meus amigos que ali ficaram. No início, me surpreendia ao perceber que a maioria já havia se casado. Na visita seguinte, fiquei surpresa ao ver que todos tinham filhos, já possuíam casa própria e alguns haviam passado em concursos públicos. Com o passar dos anos, os filhos já estavam na universidade, e outros começavam a se casar. Enfim, a vida não para para aqueles que ficaram do outro lado também.

Mas, neste ano, algo novo me surpreendeu: alguns amigos já se aposentaram! Tive o privilégio de celebrar com eles essa conquista enquanto estava lá. No entanto, em um momento dessa celebração, ouvi uma voz no meu interior: “E você? Não já é tempo de voltar e garantir o seu futuro também?”. Como se meu futuro dependesse apenas de mim mesma.

Sempre haverá vozes, internas ou externas, tentando fazer com que a mulher multicultural duvide da fidelidade de Deus para sustentá-la até o fim. Amós também enfrentou algo semelhante.

Coragem para Permanecer no Chamado
vozes

Amazias, o sacerdote do templo de Betel, tentou silenciar Amós, dizendo:

Vá embora, vidente! Vá ganhar o seu pão em Judá.”

Ele tentou desqualificar a missão de Amós, sugerindo que ele voltasse para sua terra natal, deixasse de profetizar e fosse fazer qualquer outro trabalho. No entanto, Amós respondeu com firmeza:

“Eu não sou profeta nem pertenço a um grupo de profetas, mas o Senhor me tirou do serviço junto ao rebanho e me disse: ‘Vá, profetize a Israel, o meu povo’.”

Esse diálogo nos desafia a refletir sobre nossa própria jornada. Assim como Amós, nós, mulheres multiculturais, somos chamadas a abrir mão de muitas coisas – nossa casa, nossa família, nossa segurança – para cumprir um propósito maior: anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.

Não se trata de buscar conforto, estabilidade financeira ou garantir o futuro, mas de viver em total dependência da provisão divina, com o coração voltado para resgatar vidas e edificar a igreja do Senhor.

A Luta Contra as Vozes da Dúvida

Talvez, em algum momento, você já tenha pensado: “Não seria mais fácil voltar para minha terra, onde a vida é mais estável?” Essas são vozes que já permearam a mente de muitos que foram chamados ao ministério para viver na dependência de Deus. Mas atenção: Essas vozes podem ser perigosas.

calar vozes

O inimigo se aproveita dos tempos de dificuldades, crises, conflitos e enfermidades para nos fazer duvidar do nosso chamado. No entanto, devemos lembrar que não fomos nós que escolhemos este caminho – foi Deus quem nos chamou! Ele nos tirou do nosso lugar de conforto e nos trouxe para onde estamos, com um propósito claro: proclamar o Evangelho aos que ainda não conhecem a verdade e edificar a sua igreja.

Como mulheres multiculturais, nadamos contra a corrente. Enquanto o mundo busca segurança, estabilidade e sucesso material, nós corremos em outra direção, entregando nossa vida para algo muito maior: a redenção de pessoas pelo poder transformador do Evangelho de Cristo.

A Verdadeira Fonte da Provisão

O trabalho transcultural é desafiador, mas a confiança da mulher multicultural está na fidelidade de Deus. Amós afirmou:

“Mas o Senhor me tirou do serviço junto ao rebanho e me disse: ‘Vá, profetize a Israel, o meu povo’.”

Ele não escolheu seguir esse caminho por conta própria; foi Deus quem o chamou e o sustentaria. O mesmo acontece conosco! Quando Deus nos chama, Ele também nos sustenta.

“Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’” (Romanos 1:17).

Vivemos pela fé! Vivemos pela fidelidade de Deus! Vivemos pela fé na fidelidade de Deus!

Lembro-me de quando passamos cinco anos servindo à igreja no Brasil e entendemos que era o momento de retornarmos à África. Não contávamos com os recursos financeiros completos para ir. Em outras palavras, não tínhamos ouro nem prata, muito menos os meios para nos estabelecermos em um novo país. Mas tínhamos algo muito maior: a certeza de que Deus estaria conosco e providenciaria tudo o que fosse necessário.

Isso, porém, não significava que não enfrentaríamos desafios. Pelo contrário, era o começo de uma jornada rumo ao Mar Vermelho. Nos meses em que nos preparávamos para sair do país, uma jovem de nossa igreja, que morava em São Paulo, mas era do Nordeste, precisava de um lugar para ficar por dois meses antes de viajar para outro país. Nós a acolhemos em nossa casa, mesmo sendo um espaço pequeno – sempre cabia mais um.

calando as vozes contra nosso chamado

Faltavam poucas semanas para nossa viagem, e só tínhamos o valor de uma passagem. Foi então que Deus moveu o coração dessa jovem para nos ofertar um dinheiro que ela havia guardado por muito tempo. O valor era exatamente o necessário para comprarmos as três passagens que faltavam. Ali, vimos mais uma vez a confirmação da provisão de Deus e de que Ele queria que voltássemos para a África.

“Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos” (2 Coríntios 5:7).

Nossa confiança não está em recursos humanos, mas no Deus que supre cada necessidade.

Permanecendo Firme no Propósito

O relato de Amós nos ensina que o chamado de Deus é inegociável. Quando Ele nos envia, também nos capacita e nos sustenta. Talvez você esteja enfrentando dúvidas ou pressões que tentam afastá-la do seu propósito. Mas lembre-se: sua identidade e provisão estão em Deus, não nas circunstâncias.

Que possamos, como Amós, responder com coragem e fidelidade, confiando que Aquele que nos chamou também nos sustentará.

Não importa o que as vozes no meu interior ou ao redor digam—o chamado de Deus é soberano. E Aquele que nos chamou, também nos sustentará até o fim.

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Daniela Condor

Colaboradora da redação do Blog CMM, esposa, mãe, servindo entre culturas desde 1995. Atualmente vivendo em um país da África Ocidental.

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